14/01/2020
Afecções podais: um incômodo não só para as vacas
Artigo por Grupo Apoiar

A bovinocultura brasileira, especialmente a leiteira, está presenciando tempos de mudanças relacionados à utilização da tecnologia. A tendência a pequenas margens de lucro e a alta concorrência dos mercados faz com que o produtor rural busque melhoria na qualidade dos seus produtos, assim como aumentar seus índices de produtividade. Essas ações otimizam a comercialização do que é produzido e possibilitam ao produtor participar do mercado competitivo.

O atual cenário nos permite inferir que, de fato, os produtores investiram no desenvolvimento genético do seu plantel, já que é notória a melhoria expressiva em características de capacidade digestiva e respiratória, melhorias nas conformações de úberes, assim como aumento da capacidade de produção de leite no geral (FERREIRA, 2005).

Todavia, os mesmos resultados não foram satisfatórios no que se refere ao cuidado com os membrospés e cascos. Tal fato reflete a baixa preocupação com as características selecionáveis, que por serem de baixa herdabilidade, necessitam de muitos anos de seleção.  

Ao analisar as opções de seleção para os bovinos de leite, além das modificações das instalações, visando a intensificação dos sistemas de produção, notamos que há uma maior concentração de animal por área utilizada. Isso resulta em maior volume de dejetos, maior umidade e menor higiene. Consequentemente, ocorre um aumento dos desafios ambientais e dificuldade no manejo de outras questões envolvidas, como o aparecimento de afecções dos cascos dos bovinos.

As afecções podais se destacam entre os inúmeros problemas observados em meio aos sistemas de criação. Tais afecções, a depender da gravidade, podem ocasionar grandes prejuízos econômicos advindos do descarte involuntário de animais, da menor produção de leite, aumento no período de serviço, além de maiores gastos com medicamentos. Por conseguinte, as doenças dos cascos passaram a ter grande importância para os rebanhos leiteiros, com incidência significativa, sendo menor apenas que a das infecções das glândulas mamárias e de distúrbios reprodutivos.

Os problemas decorrentes das afecções podais são diversos, sendo divididos em cinco grandes grupos: nutricionais, ambientais, infecciosos, reprodutivos e genéticos (FERREIRA, 2005). As perdas pela doença podem chegar a valores aproximados de 1,5 kg/ leite/dia por animal acometido. (WARNICK et al., 2001).

Qual o impacto econômico da claudicação?

Além do impacto negativo na produção de leite, compromete diretamente o bem-estar animal. Hoje, a claudicação é uma das principais enfermidades do rebanho brasileiro. Pesquisadores relatam prevalência de aproximadamente 55% de claudicação clínica em animais avaliados (SOUZA et al., 2006). No sistema de produção brasileiro, as afecções podais são identificadas como a terceira maior fonte de perdas para os produtores (ENTING et al.,1997).

Na minha propriedade, tenho animais claudicando, o que isso representa?

Animais com desconforto nos dígitos irão apresentar limitações em sua locomoção, alterando o comportamento, diminuindo o tempo de alimentação em até 28 minutos, quando comparado a uma vaca aparentemente sadia (Bach et al., 2007). Além disso, animais com claudicação deixam de produzir entre 270 (duzentos e setenta) e 574 (quinhentos e setenta e quatro) quilos de leite por lactação.

Existe perdas reprodutivas?

A claudicação gera impactos significantes na taxa de prenhez, no intervalo entre o parto e o primeiro serviço, no intervalo entre parto e a concepção, na taxa de prenhez no primeiro serviço e também no número de doses de sêmen por prenhez (Collick et al., 1989).

Fatores de risco das lesões podais:

As doenças de cascos possuem origem multifatorial, sendo a associação entre o ambiente e os fatores intrínsecos do animal os maiores responsáveis pela origem das lesões (Nicolleti, 2004).

higiene do ambiente está diretamente correlacionada às doenças de origem bacteriana, sendo as principais a dermatite digital bovina e o flegmão interdigital. Além disso, em sistemas com excesso de umidade, o casco fica diretamente em contato com a água, fragilizando-o, o que torna as lesões de origem traumáticas mais frequentes, como a erosão de talão.

Contudo, não podemos nos preocupar apenas com a higiene do ambiente, já que a estrutura na qual esses animais são alojados também apresenta grande relevância. Sabe-se que em ambientes desconfortáveis, o animal tende a permanecer grande parte do seu dia em estação, uma vez que o conforto para o mesmo se deitar é mínimo. Esse fator acarreta em uma superpopulação do rebanho, camas indesejáveis com sujidades, umidade e altas temperaturas, aumentando o risco de compressão do cório (derme) e assim propiciando o desenvolvimento de lesões isquêmicas. Como consequência, há maior risco de lesões de sola.

Por que devemos nos preocupar com as afecções podais?

Geralmente, as vacas de maior produção são as mais susceptíveis às lesões de casco, pois se tornam mais magras no início da lactação. As vacas magras apresentam sete vezes mais chances de claudicação após o parto e vacas leiteiras magras no período seco têm nove vezes mais chances de se tornarem claudicantes nas primeiras quatro semanas após o parto. Ademais, segundo Bicalho et al. (2007), vacas leiteiras com claudicação grave nos primeiros 70 dias de lactação, apresentam 1,74 vezes mais chance de serem descartadas até o final da lactação, ou seja, ocorre uma potencialização das possibilidades de descarte involuntário de animais com alto valor genético.

fonte: milkpoint


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