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18/04/2019
Setor privado cobra revisões no plano de erradicação da febre aftosa
Em reunião no Mapa, participantes demostraram grande preocupação em relação ao atual plano de retirada da vacina

Em entrevista ao Portal DBO, o médico veterinário Sebastião Guedes, vice-presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC) e presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, disse estar bastante “preocupado” com os caminhos seguidos pelo Programa Nacional de Febre Aftosa (Pnefa) e defendeu uma “rediscussão imediata” das diretrizes traçadas pelo Plano Estratégico para a retirada total da vacina contra o vírus no Brasil a partir de 2023.

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Guedes, que participou na última quinta-feira de reunião em Brasília promovida pela Câmara Setorial da Carne Bovina, diz não estar sozinho nessa empreitada e que busca convencer os agentes do governo federal, no caso membros ligados à área de sanidade animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a corrigirem alguns pontos fundamentais do atual plano de erradicação da febre aftosa no Brasil.

Segundo ele, é preciso estabelecer novos prazos para o cumprimento do programa, que sejam “mais factíveis” com a realidade atual dos cinco blocos da Federação envolvidos nesse plano de metas.”Nove entidades privadas participantes da reunião de quinta-feira concordaram que precisamos rediscutir alguns pontos do cronograma estabelecido pelo programa e também a geografia de onde se iniciará a retirada da vacinação”, ilustra Guedes.

Ele diz que, depois de “muito sacrifício, o Brasil venceu a aftosa”, e está há 12 anos livre de focos da doença. Segundo Guedes, apesar de não existir hoje circulação viral no território brasileiro, é preciso estar atento ao que ocorre nos países vizinhos – ele não esconde o temor de um eventual descontrole do vírus na América do Sul, a começar pela Venezuela, que vive atualmente uma profunda crise política e econômica. Na sua avaliação, mesmo com a vigilância reforçada na fronteira do país, a suposta proliferação da aftosa em Colômbia, Equador e Peru também poderia ser um facilitador para a entrada do vírus no Brasil.

Além disso, Guedes citou como exemplo da atual ineficiência do plano de erradicação da aftosa os atrasos nos cronogramas para a retirada da vacina em Rondônia e no Acre. “É preciso ser mais realista, ou seja, temos que oferecer prazos mais longos para esses Estados, algo como três ou quatro anos”.

Ainda de acordo com o médico veterinário, pode até que seja possível a retirada total da vacina até 2023, mas é necessário considerar primeiramente algumas prioridades, como a formação de um “banco de antígenos e de reserva de vacinas; a constituição de fundos indenizatórios em diversos Estados; além de aspectos epidemiológicos”.

Guedes também discorda da possibilidade de retirada da vacina pela região Sul, ou seja, pelo Paraná e Rio Grande do Sul (Santa Catarina já conseguiu status de livre de aftosa sem vacinação) – atualmente defendida por algumas pessoas envolvidas diretamente com o tema da aftosa no Brasil. “Eu penso que poderíamos iniciar a retirada pelo Nordeste, do Maranhão até Alagoas”.FONTE: DBO

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